Simples como o ar que você respira.

03/12/2018 17h58 - Atualizado em 12/01/2019 15h59

Não é nada agradável se ferir. Um pequeno corte nas mãos já incomoda bastante e dá aquela sensação de que qualquer objeto tocará a ferida propositadamente, só para fazer as pessoas lembrarem-se do ferimento. Por outro lado, um simples arranhão na perna de alguém com varizes ou um pequeno corte no pé de um portador de diabetes pode ser o suficiente para dar origem a uma lesão crônica e séria.

Feridas que não cicatrizam são muito comuns e tratamentos convencionais podem não surtir o efeito esperado de cura, o que pode levar a complicações de graves consequências, como infecções e até mesmo amputações.

Outros tipos de lesões, como àquelas causadas por incisões cirúrgicas infectadas prejudicam o fechamento e cicatrização do corte e muitas das vezes, danificam todo o tecido da região, com feridas dilacerantes e cicatrizes esteticamente comprometidas. Outro tipo de lesão são as escaras, que aparecem em pacientes acamados por muito tempo e que não conseguem mais se locomover e se higienizar corretamente. Este ferimento também não cicatriza com facilidade.

Por anos, a medicina não encontrou uma solução para o tratamento destas feridas. A partir das décadas de 80 e 90 do século XX é que o tratamento complementar da Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) começou a ser indicado e trazendo muitos benefícios aos pacientes.

A Oxigenoterapia Hiperbárica não substitui a administração de antibióticos. No entanto, o tratamento do oxigênio puro na corrente sanguínea, carregado para o sangue através da respiração em um ambiente pressurizado em até 3atm, age como um anti-inflamatório e estimula a formação de novos vasos sanguíneos na área lesionada, o que favorece a cicatrização da ferida.

A médica hiperbarista e nefrologista-pediátrica, Larissa Passerotti, esclarece mais detalhadamente na entrevista abaixo como a Oxigenoterapia Hiperbárica auxilia no processo de cicatrização de feridas crônicas.

- De que forma a OHB age na lesão no tratamento de feridas de difícil cicatrização?

A OHB age de forma a organizar o processo inflamatório que está, nestes casos, cronicamente desorganizado, gerando um estímulo às células de cicatrização (fibroblastos), células de combate à infecção (leucócitos) e produção de novos vasos ao redor da lesão. 

- Qual a importância dos curativos para o sucesso do tratamento?

Os curativos são de vital importância para a cicatrização de qualquer tipo de ferida, pois um curativo mal feito pode gerar infecções de repetição o que atrapalha qualquer tratamento, e o curativo deve ser adequado para cada estágio da lesão, por isso ele deve ser sempre reavaliado pelo médico.

- Qualquer ferida de difícil cicatrização pode ter indicação de OHB? Qual a principal indicação?

Diversas feridas de difícil cicatrização tem indicação de OHB, entre elas úlceras de decúbito (escaras), úlceras por varizes, por insuficiência arterial, pé-diabético, traumas, deiscências de suturas, sequelas de radioterapia, infecções ósseas (osteomielite), queimaduras, pré e pós-operatórios de enxertias e retalhos, entre outras.

- É importante que o paciente ou familiar também faça a parte deles no cuidado com a ferida?

É essencial a participação ativa do paciente ou familiar responsável, pois o tratamento exige presença diária às sessões, curativos diários realizados com a técnica adequada, retorno ao médico especialista de rotina o qual irá acompanhar o tratamento conjuntamente de forma a realizar uso de antibióticos, troca de curativos e cirurgias nos momentos necessários.