Medicina Hiperbárica

Definição

“Tratamento ADJUVANTE em que o paciente respira, intermitentemente, oxigênio a 100% enquanto é submetido a pressões maiores que ao nível do mar (1 atmosfera absoluta).” Undersea and Hyperbaric Medical Society (UHMS), 1999.

“Uma modalidade de tratamento médico, do âmbito da Medicina Hiperbárica, que consiste na ventilação de oxigênio puro, de forma intermitente, em um ambiente estanque e pressurizado chamado Câmara Hiperbárica.” (RESOLUÇÃO CFM 1457/95)

História

Silo de madeira criado pelo Sir Edmund Halley

A história da Oxigenoterapia Hiperbárica inicia-se conjuntamente com a evolução do mergulho e dos tubulões de engenharia. Deste modo, nada mais esclarecedor do que iniciarmos a história com o desenvolvimento das escubas de mergulho.

Em 1961 o astrônomo inglês Sir Edmund Halley desenvolveu um silo de madeira com vidro na parte superior para entrada de luz com o objetivo de uma pessoa guia ficar na parte interna e “bombear “ ar para o mergulhador.


Em 1662 , N. Henshaw notou que pacientes com feridas crônicas tratados em centros nas montanhas apresentavam melhora significativa das lesões e de seu estado geral e passou a desenvolver um “vaso de pressão” denominado “Domicilium”, mas foi em 1788 que Smeaton desenvolveu uma bomba “forçadora” de ar (“compressor“) para dentro do silo.
Este foi somente o início do desenvolvimento das scubas de mergulho e das chamadas Câmaras Hiperbáricas.

 

A construção da ponte do Brooklyn

Com em relação aos tubulões utilizados na área de engenharia, em 1841 M. Triger criou o primeiro tubulão para mineração de carvão e em 1854, B. Pol e T.J.J. Watelle fizeram o primeiro relato de doença descompressiva, chamado na época de “doença do ar comprimido”.

Entre os anos de 1860 a 70, J.Roebling e W.Roebling foram os engenheiros que desenvolveram o tubulão para construção da ponte do Broklyn (EUA), porém curiosamente, Roeblin, veio a sofrer de doença descompressiva, a qual em 1878, Paul Bert passou a realizar estudos de fisiologia experimental e descreveu a doença dos tubulões, a teoria das bolhas para doença descompressiva, além dos efeitos da toxicidade pelo oxigênio , sendo que no mesmo ano, Fontaine criou a primeira câmara portátil para cirurgia com compressor manual em que neste ficavam duas pessoas “bombeando” o gás para dentro.

A câmara criada por Fontaine

 

Câmara de Corninhg

Somente em 1891 que Corning desenvolveu a primeira câmara americana, localizada em Rochester (NY), sendo utilizada para tratamento de espinha medular, conjuntamente com o primeiro compressor elétrico. 

A partir daí, em 1921, Cunningham relatou sobre tratamentos para hipóxia, hipertensão arterial sistêmica , sífilis, câncer e Diabetes Mellitus, porém foi muito questionado .

E, somente em 1960 que I. Boerema, chamado de “Pai da Oxigenoterapia Hiperbárica”, escreveu “Life Without Blood”, onde descreveu sobre o transporte de O2 pelo plasma em porcos, o tratamento de infecções por anaeróbios além do controle de outras infecções e, desta forma, abriu caminho para seu uso na cicatrização de feridas

No Brasil, em 1932, Álvaro Ozório de Almeida instala a primeira câmara na América Latina e publica trabalhos sobre tratamentos da hanseníase, sobre os efeitos tóxicos do oxigênio, além de desenvolver em câncer e radioterapia. A partir daí, a medicina hiperbárica brasileira passou a desenvolver-se progressivamente, até que em 1995, o CFM (Conselho Federal de Medicina) publica sua regulamentação.

O artigo de I. Boerema

Regulamentação pelo CFM (Conselho Federal de Medicina)

 

Mas esta historia não se resume apenas a estes dados, existem diversos outros precursores que colaboraram com a evolução da oxigenoterapia no mundo:

• Em 1775 - O Oxigênio foi descoberto por Priestley , Lavoisier e Seguin, os quais descreveram seu efeitos tóxicos em 1789.
Mas somente em 1796, foi publicado o primeiro livro sobre as aplicações do oxigênio, por Beddoes e Watt.
• 1878 - P.Bert publica “La Pression Barometric”
• 1895 - Haldane: Relata o efeito protetor do oxigênio pressurizado e seu efeito na intoxicação por monóxido de carbono
• 1937 - Behnke e Shaw: Usa a oxigenoterapia hiperbárica para tratamento da Doença Descompressiva(DD)
• 1960 - Sharp e Smith: Relata o uso da oxigenoterapia hiperbárica no envenenamento por monóxido de carbono
• 1963 - Primeiro Congresso Internacional de Medicina Hiperbárica em Amsterdam
• 1965 - Perrins: Publica os efeitos da oxigenoterapia hiperbárica na Osteomielite
• 1983 - Fundação do American College of Hyperbaric Medicine
• 1986 - Fundação da Undersea & Hyperbaric Medical Society (UHMS)